sexta-feira, 11 de maio de 2012
Sobejo
Se a saudade apertar mais
jogo fora o coração
cego os olhos, corto a língua
furo os ouvidos, abro o caixão
rasgo os pulsos, bebo veneno
me jogo no rio, me enterro no chão...
Só não aguento sentir desse jeito
essa dor bem no meu peito
coisa sem explicação.
Noves fora esse sentir cruento,
o linguajar violento,
só não morro sem pedir perdão.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Eternidade dos Olhos
Antes do sereno do teu olhar
Eu não conhecia a noite
- A noite do infinito breu.
Noite da invisível luz das estrelas,
Da lua multidimensional.
Antes desse borboletear de pálpebras
Não compreendia o silêncio...
O silêncio inebriado de sons milenares da natureza.
Mesmo antes de ver-te inteira,
Real como uma pintura abstrata
(onde a tinta é cheiro de fruta madura),
Eu era um cego de mil olhos,
Todos irremediavelmente sem destino furta-cor.
Até que mergulhei no tempo
De teu minuto ocular.
Comi a gravidade das horas.
Inventei a gravidez do instante.
E me curei do que os compêndios de medicina chamavam de
: a doença da cegueira eterna.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Janela e Nuvens
Dois poemas em homenagem a esse fim de noite chuvoso da capital pernambucana. Aqui, a chuva vez por outra inunda a alma da gente!
JANELA
O cinza do céu do Recife
umedece meus pensamentos mais agrestes...
Um abril líquido escorre pelas paredes, árvores e ruas
alaga minha vista,
inunda meu coração.
O céu do Recife é meu mar!
NUVENS
Recife acinzenta-se.
Sem velório,
o dia morreu encharcado.
Desconheço-me morto ou sobrevivente.
Rendo-me à secura da solidão.
Meu deserto seca a chuva pálida.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Quadro
As sapatilhas da bailarina
Dormem atrás da porta.
Os pés sujos da menina
Pisam, sorrateiros,
a parede branca do quarto escuro...
Em cada cômodo da casa
Cirandas alienadas
de ponteiros obtusos
Dialogam entre si.
Tic-tacs infelizes
Embalando a fotografia da família morta.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Signo
(para Angela Dionisio)
A força do universo
arremata em luz outros sentidos do ser.
Arrebenta a palavra
tritura significados
santifica racionalidades.
A força do universo
é dinâmica invisível da coragem,
sopra números pra dentro do osso,
arranca pétalas de um sertão vário.
é dinâmica invisível da coragem,
sopra números pra dentro do osso,
arranca pétalas de um sertão vário.
A força do universo...
Outro delírio astronômico
contrário do espelho da fotografia,
desalinha planetas desconhecidos,
expulsa galáxias para dentro.
A força do universo é felina
em velocidade da luz
– fera brasão rei dos astros –
engolindo súditos,
defendendo a prole.
A força do universo é feminina,
mas vai além dos gêneros
de línguas, fonemas, dilemas.
Outro delírio astronômico
contrário do espelho da fotografia,
desalinha planetas desconhecidos,
expulsa galáxias para dentro.
A força do universo é felina
em velocidade da luz
– fera brasão rei dos astros –
engolindo súditos,
defendendo a prole.
A força do universo é feminina,
mas vai além dos gêneros
de línguas, fonemas, dilemas.
A força do universo é ciência
Do minuto eterno daquilo que se diz espírito.
Do minuto eterno daquilo que se diz espírito.
@ Poema feito em 2011 e dedicado a uma leonina. Peço licença para dedicá-lo neste 8 de março a todas as mulheres que são o signo da força do universo. A eternidade humana é feminina! Viva a luta da mulher!
domingo, 4 de março de 2012
Lua Cheia
A lua...
Farol dos insones.
Olho vigiando o breu.
Espelho da poesia solar.
Espelho da poesia solar.
Em que profundidade feminina mergulha seu mistério?
Diana parindo virgens nas matas,
a maternidade dos assassinos,
a maré dos barcos insensatos,
...os amantes marítimos enamorados de seu solilóquio.
Ao olhar para ela,
por um momento,
entendo o tempo das coisas em estado de memória.
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